Central do Cerrado – Produtos Ecossociais

Artigos publicados em 'Frutos do Cerrado'

11.07.13

Jerivá – Syagrus romanzoffiana

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  •  Syagrus romanzoffiana, Baba-de-boi, Coco-de-babão, Coco-de-cachorro, Coco-de-catarro, Coqueiro, Coqueiro-gerivá, Coquinho, Coquinho-de-cachorro, Gerivá, Jeribá, Jerivá, Palmeira-jerivá
  • Nome Científico: Syagrus romanzoffiana
  • Sinonímia: Arecastrum romanzoffianum, Cocos romanzoffiana, Cocus plumosa, Cocos acrocomoides, Cocos arechavaletana, Cocos australis, Cocos datil, Cocos romanzoffiana, Cocos martiana

Seu estipe é elegante e único, alcançando de 8 a 15 metros de altura e podendo chegar a 60 cm de diâmetro. As folhas são longas, com 2 a 4 metros de comprimento, arqueadas, pendentes, pinadas e com numerosos folíolos.

As inflorescências surgem o ano todo, em cacho pendente, grande, ramificado, com pequenas flores de cor amarelo creme.

O fruto é do tipo drupa, de cor amarela ou alaranjada, de formato globoso a ovóide, com polpa fibrosa, suculenta e doce.

Cada fruto contém uma única semente, como um minúsculo coco, de sabor amendoado. Tanto os frutos, como as sementes dos jerivás são comestíveis. Também produz palmito.

No paisagismo, os jerivás podem ser utilizados isolados, em grupos ou renques.

Seu ar imponente e majestoso ajuda a criar projetos de jardins sofisticados a um custo não tão elevado, se comparado a outras palmeiras. Da mesma forma, seu jeitão tropical é perfeito para jardins descontraídos à beira-mar ou em sítios. O jerivá também é muito atrativo para a fauna silvestre. As inflorescências são visitadas por abelhas diversas e os frutos são avidamente devorados por maritacas, papagaios, caturritas e esquilos.

No seu ambiente natural, atrai também cachorros-do-mato e raposas.

Deve ser cultivado sob sol pleno ou meia sombra, em solo fértil, drenável, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente.

Quando jovem, esta palmeira aprecia o sombreamento parcial. Tolera bem o frio e o calor, adaptando-se a uma ampla variedade climática, no entanto, aprecia a umidade tropical. Resiste muito bem ao transplante, mesmo os indivíduos adultos. Multiplica-se por sementes postas a germinar em recipientes com substrato arenoso, mantido úmido. Semear na primavera e verão, logo após a colheita e despolpa dos frutos quase maduros.

A germinação ocorre após 2 a 5 meses.

Gueroba

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Gueroba (Syagrus oleracea Becc.)

Palmeira Gueroba
Palmeira Gueroba

Gueroba (Syagrus oleracea Becc.) é uma palmeira nativa do bioma Cerrado, e de suas amêndoas é extraído um óleo de fragrância delicada e de fácil absorção,

que atua como excelente hidratante da pele e dos cabelos, por possuir propriedades emolientes, antioxidantes e nutrientes.

Em sua composição encontramos os ácidos graxos essenciais oléico e linoléico que têm propriedades nutritivas, favorecendo a firmeza e elasticidade da pele.

Coco da GuerobaCoco da Gueroba

O ácido graxo mirístico é responsável pela capacidade detergente do óleo de Gueroba, na formação de espumas em sabonetes. Este ácido graxo também confere ao óleo de gueroba propriedades emolientes e umectantes,

o que proporciona consistência e um toque aveludado em loções hidratantes.

Castanha do coco da guerobaCastanha do coco da gueroba

Outro importante componente do óleo de Gueroba é o ácido graxo láurico que penetra com extrema rapidez pelos poros da pele, f

acilitando a absorção do óleo, assim como dos outros ingredientes ativos contidos nosfitocosméticos da Pacari.

Extração a frio do óleo da guerobaExtração a frio do óleo da gueroba

O óleo de Gueroba é extraído a frio em uma agroindústria comunitária, gestada por mulheres, situada na cidade de Buriti de Goiás (GO).

Os cocos da gueroba, matéria-prima para a extração do óleo, são coletados de forma sustentável por agricultores e extrativistas da região da Serra Dourada.

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MACAÚBA

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ocaiúva, coco babão, coco xodó nomes tão diversos quanto à distribuição desta palmeira que ocorre desde o sul do México Antilhas até no sul do Brasil nos estados da Bahia, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí, Tocantins. Normalmente sua ocorrência em agrupamentos com grandes populações está associada áreas antropizadas, ocorrendo também em formações secundárias como capoeiras, entretanto de forma descontínua. Sendo uma palmeira arborescente espinhosa, que pode chegar até 16 metros de altura.

A macaúba floresce e frutifica o ano todo, com maior intensidade na época chuvosa (novembro a dezembro) e os frutos amadurecem entre setembro a janeiro. Considerada uma planta indicadora de solos férteis. Apresenta grande tolerância ao fogo, só deixando de produzir um ano e voltando a produzir no ano seguinte.  As flores femininas se encontram na base da inflorescência e as masculinas no topo. Os principais polinizadores são besouros e abelhas do grupo Trigonia. As sementes podem levar até dois anos para germinar.

Esta palmeira tem forte interação com a fauna, seus frutos integram a dieta de araras, capivaras, antas, emas entre outros animais os quais são os dispersores das sementes.

Os frutos são esféricos com epicarpo, mesocarpo fibroso e mucilaginoso, rico em glicerídeos, com endocarpo fortemente aderido a polpa e a amêndoa oleaginosa.

Frutos: são comestíveis, onde a polpa pode ser consumida “in natura” (chiclete pantaneiro), cozida no leite como mingau para crianças, em sorvetes ou em receitas com a farinha (bolo, pão,sequilho, recheio de bombom) ou mesmo processada, sendo possível  quando madura a extração de óleo utilizado na indústria química e de sabões, dentre outros, destacando-se pela sua alta lubricidade e rendimento.

Amendoa:se extrai um óleo vegetal fino e claro, similar ao azeite de oliva, utilizado na indústria de alimentos, bem como na fabricação de cosméticos. Tem se destacado na fabricação de sabonete artesanal obtido pelo processo a frio, denominado no meio como “cold process”.
Do miolo do tronco se faz uma fécula nutritiva, as folhas são forrageiras e têm fibras têxteis usadas para fazer redes e linhas de pescar. A madeira é usada em construções rurais.

Endocarpo: carvão de alta qualidade, energeticamente superior ao carvão vegetal convencional. Pode ser utilizado em substituição total ou parcial do coque mineral em forjarias e em ferro-ligas, além de padarias, pizzarias, aquecimento de piscinas.

Cajuzinho-do-Cerrado

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Nomes Comuns: caju, cajuzinho-do-campo, cajuína

Família: Anacardiaceae

Gênero: Anacardium

Espécie: humile

Botânico: Mart.

Ocorrência: cerrado rupestre, cerrado, campo sujoAnacardium humile

Floração: de junho a novembro

Frutificação: de outubro a novembro

Porte: escleromórfico, até 2m, arbusto

Folhas: subsésseis, simples, pecioladas, ovadas, nervuras visíveis, glabras, brilhantes, base aguda, alternas

Flores: vermelho-rosadas, ovário súpero, hermafroditas, actinomorfas, 8 a 10 estames, 5 pétalas

Uso: Pseudofruto comestível, in natura, sucos e doces. A castanha oleaginosa (fruto) é comestível quando torrada; A raiz é purgativa; a casca é usada contra inflamações da graganta; as folhas contra diarréia e como expectorante; a semente contra manchas na pele

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27.12.12

O Murici

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Murici

Fruto carnoso de sabor forte, o murici é agridoce e oleoso. Consumido in natura e usado na fabricação de doces, sucos, sorvetes e licores, é encontrado em 11 estados brasileiros, entre eles São Paulo.

murici pertence à família Malpighiaceae, a mesma da acerola. Possui várias espécies e, por isso, pode ser encontrada em cores diferentes, dependendo do local da sua ocorrência. A estimativa é que o gênero Byrsonima possua mais de 200 espécies, sendo que 100 delas estão amplamente distribuídas no País. A maioria é encontrada na região amazônica, onde, na época de sua frutificação, a mata verde fica pintada pelo amarelo do fruto.

A sua árvore pode chegar a até seis metros de altura. Seu tronco é tortuoso e pode apresentar nós. As folhas são simples e rígidas, chegam a 24 centímetros de comprimento e 18 centímetros de largura. A sua madeira é usada na construção civil e a sua casca para o uso medicinal, com a fabricação de antitérmicos. A casca contém de 15 a 20% de tanino, sendo adstringente e podendo ser utilizada na indústria de curtume. A fruta também é conhecida por douradinha-falsa, mirici, muricizinho, orelha-de-burro e orelha-de-veado (os dois últimos nomes são dados por causa do formato das folhas).

Pesquisadores acreditam que o murici foi a fruta encontrada na Bahia pelo padre viajante Gabriel Soares de Sousa na metade do século 16. Em sua descrição, informa que se tratava de árvore pequena e muito seca que, nascendo em terras fracas, fornecia frutas amarelas e moles, menores do que as cerejas, comestíveis e de sabor e cheiro semelhantes aos do “queijo de Alentejo”.

Fernanda Mariano

Fonte: www.folhadaregiao.com.br

Os frutos do Cerrado e sua medicina

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Brosimum gaudichaudii Tréc

Mama-Cadela

Família Moraceae, mesma do carapiá, dos Ficus spp., e de gêneros comuns na Mata Atlântica, como Sorocea que apresentam espinhos margens das folhas e espetam os pés de desavisados que andam descalços pela mata.

Também desta família, a amora (Morus sp.), a jaca e a fruta-pão (Artocarpus spp.), são exemplos de espécies introduzidas no Brasil que são bem conhecidas da população.

Mama-cadela pode ser encontrada na forma de arbusto ou arvoreta, atingindo até 4m de altura; possui ramos tortuosos e latescentes; folhas simples, alternas, de consistência bem firme, com pecíolo – “cabinho” da folha – curto, face inferior aveludada, nervuras principais amareladas na face superior, latescentes; a planta é monóica, ou seja, possui flores unissexuadas no mesmo indivíduo; as flores têm coloração verde-amareladas, são minúsculas, agrupadas na extremidade de pedúnculos pendentes das axilas das folhas, de maneira especialmente característica da espécie; os frutos são drupas, compostas pelo desenvolvimento e fusão dos ovários das diversas minúsculas flores reunidas, coloração alaranjada, alcançando 3 cm de diâmetro, comestível ao natural ou na forma de sorvete e doces.

Mama-Cadela

Planta muito utilizada pelas populações do Cerrado, como espécie medicinal contra gripes e bronquites, como depurativo do sangue e em má circulação. A casca é comercializada em bancas de raizeiros da região.

Mama-Cadela

O bergapteno, furocumarina encontrada em cascas, raízes e frutos verdes da mama-cadela, é um princípio ativo já é bem conhecido, sendo utilizado (em combinação com as vitaminas A, B1 e B6) no tratamento do vitiligo e outras doenças que causam despigmentação na pele.

Ainda que os estudos científicos a respeito dessa substância não estejam concluídos, de fato vem-se observando a repigmentação de áreas afetadas por vitiligo através de seu uso. Alguns laboratórios goianos, paulistas e do Distrito Federal estão elaborando comprimidos, extratos, tinturas, pomadas e cremes com base nesta planta, que é também recomendada em estados natural na forma de chás. Está entre as plantas citadas por 90% dos raizeiros, em um trabalho etnobotânico realizado na região de Goiânia.

A madeira, quebradiça, leve e macia, tem aplicações na marcenaria, sendo recomendável o uso de indivíduos jovens na confecção de papel. Tanto as folhas como os frutos integram a dieta de bovinos, o que lhe confere bom potencial forrageiro.

Deve-se evitar retirar a mama-cadela em “limpezas” pastos, pois é ótimo complemento.

Outro possível uso é o das raízes como aromatizante de tabaco para cachimbo ou cigarro de palha, da mesma forma como os rizomas do carapiá.

Substâncias da classe das furocumarinas, todas presentes na mama-cadela.

Todas estas substâncias apresentam capacidade fotossensibilizante. As furocumarinas são utilizadas desde é poças remotas para o tratamento de doenças com sintomas na pele pele, tais como psoríese, hanseníase, vitiligo, leucodermia, micoses, dermatite e eczemas. (Fonte: Leão et al. 2005)

Indicações
Parte usada
Preparo e dosagem
a. manchas da pele, vitiligo a. casca de ramos e raízes a. decocto ou infuso: 1 xícara chá de raiz e casca do caule picados, diluir em 1 litro de água. Passar 2 vezes ao dia nas plantas afetadas.
b. depurativo do sangue, na má circulação do sangue b. ramos com folhas b. decocto, infuso ou no vinho seco: 1 xícara de chá de folhas e ramos picados para 1 litro de água ou vinho. Deixar repousar por 24 horas. Beber 2 xícaras de chá ao longo do dia ou 1 copo de vinho ao dia.
c. gripes, resfriados e bronquites c. toda planta c. infuso (vinho ou água): 1 xícara de chá da planta picada para 1 Litro de vinho ou água fervente. Deixar repousar por 24 horas. Beber de 4 colheres de sopa do vinho ou chá morno ao dia. Pode-se adoçar com mel.
Obs. Quando preparado com vinho, não deve ser dado para crianças e a dosagem do chá deve ser reduzida pela metade.

Referências

Almeida, S.P. 1998. Cerrado: Aproveitamento Alimentar. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. 188p.

ALMEIDA, S.P.; PROENÇA, C.E.B.; SANO, S.M.; RIBEIRO, J.F. , 1998. Cerrado: espécies vegetais úteis. Planaltina: EMPRAPA-CEPAC.

Leão, A. R.; da Cunha, L. C.; Parente, L.M.L.; Castro, L. C. M.; A. C.; Carvalho, H.E.; Rodrigues, V. B. & Bastos, M.A. 2005. Avaliação clínica preliminar do Viticromin em pacientes com vitiligo. Revista Eletrônica de Farmácia vol. 2 (1), 12-23, 2005. www.plantamed.com.br/ESP/Brosimum_guadichaudii.htm
Luciana Melhorança Moreira Añez, , Epifania Rita Vuaden1, , Suzinei Silva Oliveira1, , Maria Cristina de Figueiredo e Albuquerque e Maria de Fátima Barbosa Coelho5. TEMPERATURAS PARA GERMINAÇÃO DE SEMENTES DE MAMA-CADELA (Brosimum gaudichaudii TREC – MORACEAE). www.ufmt.br/agtrop/Revista6/doc/10.htm.

Barroso, G.M; Peixoto, A.L.; Ichaso, C.L.F.; Guimarães, E.F. & Costa, C.G. 2002. Sistemática de Angiospermas do Brasil. Volume 1. 2a Ed. Viçosa:UFV.

MARIA INÊS CANAAN DE OLIVEIRA; MAGALI BORGES DE OLIVEIRA. IDENTIFICAÇÃO, QUANTIFICAÇÃO E DETERMINAÇÃO ESTRUTURAL DE ÓLEOS ESSENCIAIS PARA AVALIAÇÃO FARMACOLÓGICA E TOXICOLÓGICA
www.propesq.ufjf.br/seminario/CDSEMINARIO2003/pesq/proj/proj181.htm

Silva, D.B. da; et al., 2001. Frutas do Cerrado. Brasília: Emprapa Informação Tecnológica.

Silva Júnior, M.C. et al. 2005. 100 Árvores do Cerrado: guia de campo. Brasília, Ed. Rede de Sementes do Cerrado, 278p.

Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2005. Botânica Sistemática: guia ilustrado para identificação das famílias de Angiospermas da flora brasileira, baseado em APG II. Nova Odessa-sp, Instituto Plantarum.

Vidal, W.N. & Vidal, M.R.R. 1990. Botânica – Organografia. 3a Ed. Viçosa, UFV.

Fonte: www.biologo.com.br

Mama-Cadela

Mama-Cadela

Partes usadas

Folhas e raízes
Família

Moraceae
Características

Árvore comum nos campos e cerrados .
Dicas de Cultivo

Reproduz-se por sementes, sendo planta rústica e pouco exigente.
Outros Nomes

Maminha-de-cachorra, mamica-de-cachorra, conduru, inharé, mucurerana.
Princípio ativo
Propriedades

Depurativa, antivitiligo.
Indicações

Seu chá por decocção sob a forma de banhos diários, combate o vitiligo. É usada também em doenças que requerem o uso de um depurativo, como por exemplo, doenças crônicas, reumáticas, intoxicações, etc.

Fonte: www.cantoverde.org

O famoso Pequi!

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Divisão: Magnoliophyta (Angiospermae)

Classe: Magnoliopdida (Dicotiledonae)

Ordem: Guttiferales

Família: Caryocaraceae

Nome Científico: Caryocar brasiliense Camb.

Nomes Populares: Pequi (MG, SP); Piqui (MT); Piquiá-bravo; Amêndoa-de-espinho, Grão-pequiá; Pequiá-pedra; Pequerim; Suari; Piquiá.

Ocorrência: Cerradão Distrófico e Mesotrófico, Cerrado Denso, Cerrado, Cerrado Ralo e Mata Seca.

Distribuição: Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo, Tocantins.

Em Minas Gerais, o fruto é encontrado em maiores quantidades na região de Montes Claros, no norte do Estado (revista.fapemig.br/11/pequi). No Estado de Goiás a espécie é protegida por lei (Código Florestal do Estado de Goiás), mas vem sendo dizimada, principalmente, nas áreas de expansão agrícola.

O pequizeiro (Caryocar brasilliense Camb.) é uma árvore típica do cerrado brasileiro e, com certeza, uma das com maior valor econômico na região, ou seja, com um alto grau de aproveitamento, não só pelos seus frutos, mas pela árvore, como um todo. O fruto é chamado de pequi que, em língua indígena da região, significa “casca espinhenta”.

A família à qual pertence o pequizeiro tem dois gêneros e mais de uma dezena de variedades, que podem ser encontradas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A variedade mais comum no cerrado do Centro-Oeste pode chegar a 10m de altura e, por esta razão, é uma das maiores árvores do cerrado brasileiro, que apresenta uma vegetação predominantemente rasteira. Entretanto, é comum encontrarmos, nessa região, pequizeiros de pouco mais de 1 m de altura.

Na região Norte, entretanto, podemos encontrar variedades muito maiores, com árvores de mais de 20 m de altura e um diâmetro que pode chegar até 5 m (www.ruralnews.com.br/agricultura/frutas/pequi).

Segundo Almeida et al., (1998), a floração ocorre de agosto a novembro (chuvas) com pico em setembro, mas ocasionalmente em outras épocas após as chuvas ou roçados. A frutificação ocorre de novembro a fevereiro.

Em cerrados, normalmente roçados para facilitar a pastagem do gado, encontram-se exemplares pequenos, com 1 metro de altura, carregados de flores em épocas fora do tempo normal de floração, quando há veranicos, no período de janeiro (www.radiobras.gov.br).

A planta possui porte arbório, podendo chegar a 10 m de altura e de 6 a 8 m de diâmetro de copa, com tronco tortuoso de casca áspera e rugosa de 30 – 40 cm de diâmetro. As folhas pilosas são formadas por 3 folíolos com as bordas recortadas, longo-pecioladas e opostas (Figura 01).
FIGURA 01 – Árvore, folhas e flores

A árvore é hermafrodita. Inflorescêcia racemo terminal curta com10 a 30 flores. As flores são grandes e amarelas. Oliveira (1998) apud Chaves (2003), encontrou taxas de cruzamento que caracterizam a espécie como alógama. Estudos realizados com marcadores izoenzimáticos e morfológicos têm mostrado uma grande variabilidade genética dentro de sub-populações com valores bem próximos de zero para a variabilidade genética entre sub-populações (Oliveira et al., 1997; Oliveira, 1998; Trindade et al., 1998), o que é característico de populações alógamas sem restrições ao fluxo gênico. É planta semidecídua, cuja floração ocorre logo após a emissão de folhas novas. Apresenta redução parcial da folhagem durante a estação seca (Ribeiro et al., 1981 apud Almeida et al., 1998). Várias características identificam a polinização dessa espécie com a síndrome de quiropterofilia, tais como: estames com abundante quantidade de pólen pulverulento, volume médio de néctar produzido por flor (0,33 ml), concentração de açúcar no néctar (13,6%), liberação de forte cheiro pela flor, especialmente no período de antese, ao redor de 19 a 20 horas. Ocorre autopolinização, podendo cerca da metade dos botões florais desenvolver-se para frutos (Barradas, 1972 apud Almeida el. Al., 1998).

Os frutos alcançam a maturidade entre três e quatro meses após a floração. A dispersão dos frutos é realizada por dois vetores, um marsupial (Didelphis albiventris) e um corvídeo (Cyanocorax cristatellus) (Gabriel, 1986 apud Almeida et al., 1998). O fruto, do tamanho de uma pequena laranja, está maduro quando sua casca, que permanece sempre da mesma cor verde-amarelada, amolece.

Partida a casca, encontram-se, em cada fruto, uma, duas, três ou quatro amêndoas tenras envoltas por uma polpa amarela, branca ou rósea, o verdadeiro atrativo da planta. A única contra-indicação são os espinhos finos, minúsculos e penetrantes existentes bem no núcleo do caroço, sendo preciso muito cuidado ao mastigá-lo para chupar a polpa. (Figura 02).
FIGURA 02 – Fruto do Pequizeiro

A coleta de frutos implica a exportação de nutrientes, e para cada tonelada de fruto fresco seguem 4,3 kg de potássio, 1,8 kg de nitrogênio e 0,1 kg de fósforo (Miranda et al., 1987 apud Almeida et al., 1998).

O peso médio do fruto foi de 120 g, sendo que a casca representa 82% do fruto, o endocarpo 4,6%, a polpa 7% e a amêndoa cerca de 1% (Almeida & Silva, 1994 apud Almeida et al., 1998). O peso unitário dos frutos variou de 50 a 250 g, a casca de 20 a 117 g, a amêndoa de 2 a 4 g, com valor médio de 8,14 g de polpa (Miranda & Oliveira Filho, 1990 apud Almeida et al., 1998).

Segundo Franco (1982) apud Almeida et al., (1998), 100 g de polpa de pequi contém:

Vitamina A 20.000 mg
Vitamina C 12 mg
Tiamina 30 mg
Riboflavina 463 mg
Niacina 387 mg

Quanto aos sais minerais, a polpa do piqui (coletado no Mato Grosso) apresentou Na (20,9 mg/g), Fe (15,57 mg/g), Mn (5,69 mg/g), Zn (5,32 mg/g), Cu (4 mg/g), Mg (0,05 mg/g), P (0,06 mg/g) e K (0,18 mg/g), sendo que a amêndoa apresentou Na (2,96 mg/g), Fe (26,82 mg/g), Mn (14,37 mg/g), Zn (53,63 mg/g) e Cu (15,93 mg/g) (Hiane et al., 1992 apud Almeida et al., 1998). O valor energético, em cada 100 g é de 89 calorias (www.ruralnews.com.br).

O pequi é considerado a “carne” do Cerrado. Além das proteínas, poliglicerídeos e carboidratos necessários ao organismo, contém alto teor de pró-vitamina “A” em sua polpa (revista.fapemig.br/11/pequi).

O pequizeiro é uma planta muito versátil, no que diz respeito às suas utilidades, pois dela se aproveita praticamente tudo.

O pequi é muito apreciado nas regiões onde ocorre: o arroz, o frango e o feijão cozidos com pequi são pratos fortes da culinária regional; o licor de pequi tem fama nacional; e há, também, uma boa variedade de receitas de doces aromatizados com seu sabor (www.bibvirt.futuro.ups.br). Como medicinal o óleo da polpa tem efeito tonificante, sendo usado contra bronquites, gripes e resfriados e no controle de tumores. É comum o óleo ser misturado ao mel de abelha ou banha de capivara, em partes iguais, e a mistura resultante ser usada como expectorante. O chá das folhas é tido como regulador do fluxo menstrual. Na indústria cosmética, fabricam-se cremes para a pele tendo o piqui como componente. O potencial forrageiro foi evidenciado quando fragmentos de folha foram encontrados em fístula esofágica de bovino (Macedo et al., 1978 apud Almeida et al., 1998). Os frutos também são ingeridos pelos bovinos, mas em função do endocarpo espinhoso, podem ocorrer acidentes. As flores são importantes para alimentação de animais silvestres como: paca, veado-campeiro e mateiro, e as árvores floridas são utilizadas como pontos de espera da caça. Da casca e das folhas extraem-se corantes amarelos de ótima qualidade, empregados pelos tecelões em tinturaria caseira (Silva Filho, 1992 apud Almeida et al., 1998). A madeira é própria para xilografia, construção civil e naval, construção de esteios de curral, mourões e dormentes. Também é usada na fabricação de móveis, além de ser fonte de carvão para siderurgias. A planta é melífera e ornamental.

Cada planta adulta poderá produzir, em média, até dois mil frutos por safra. O preço do litro de caroços de pequi, com aproximadamente 17 unidades, tem sido comercializado no varejo, em feiras livres e Ceasa-DF, ao preço que varia entre R$1,50 a R$3,00. A frutificação ocorre normalmente aos cinco anos após o plantio (Avidos e Ferreira, 2003).

Segundo Moura e Rolim (2003), a forma de obtenção desses frutos é o extrativismo que envolvem catadores, principalmente de Pequi, que são famílias de baixa renda e moradores de regiões carentes. Na tarefa de catar pequi é envolvida toda a família, inclusive as crianças que, após o dia de trabalho vão para as beiras de estradas oferecer o produto da catação aos transeuntes, ou vendem a atravessadores que recolhem a produção da região e levam para comercialização nos centros consumidores, como Goiânia ou Montes Claros em Minas Gerais. Os valores pagos aos catadores são muito baixos, pouco auxiliando para a melhoria de vida daquela população, uma vez que a produção é sazonal e na entressafra essas pessoas têm que buscar outras atividades para garantir a sobrevivência.

A comercialização do fruto “in natura” é destinada ao consumo na culinária típica. Ainda pode ser destinada a pequenos fabricantes de conservas vegetais, que processam sem o conhecimento técnico necessário, colocando em risco a saúde do consumidor e juntamente a isso a credibilidade do produto a base de fruto do cerrado.

Outra forma que essas famílias utilizam para aumentar a renda com a catação do Pequi é a extração do óleo, que é feita às vezes com o fruto que foi catado e não vendido in natura. O processo utilizado para a extração é muito rudimentar e com baixa produção, produtividade e qualidade. O óleo obtido é vendido nos centros de comercialização, CEASA,e mercados municipais também a preços baixos, além da venda a atravessadores que revendem o produto com nova embalagem e a preços significativamente maiores. Há também um mercado para a indústria cosmética que exige determinadas características para o óleo que, no processo utilizado de extração não atende, e quando atende o extrativista não tem acesso direto à empresa e sim ao atravessador.

Preocupada em preservar e possibilitar a exploração comercial do pequi, a Embrapa está pesquisando seu cultivo em lavouras, utilizando técnica de irrigação e fertilidade. Os trabalhos têm resultado em pomares precoces, de produção dois anos após o plantio (www.embrapa.br).

Devido à sua origem no cerrado, o pequizeiro é melhor adaptado a regiões com pouca chuva ou pouca irrigação. Sua produção é sempre maior em período mais secos e, por esta razão, a variedade do cerrado também pode ser cultivada em algumas regiões mais secas do Nordeste. No entanto, durante o período de germinação, é necessário que façamos uma irrigação, caso não haja um volume adequado de chuvas (www.ruralnews.com.br).

Sua produção não é estável. Em anos de muita chuva, produz pouco; ao contrário, nos de seca a produção é maior. Tanto que nas regiões interioranas existe um adágio popular muito conhecido: “ano de pequi, ano de crise”. A chuva derruba as flores antes da fecundação, o que reduz a produção (www.radiobras.gov.br).

Os frutos de Pequi caem naturalmente quando estão maduros. Por isso, devem ser apanhados preferencialmente no chão. Frutos coletados diretamente na planta podem não apresentar sementes completamente desenvolvidas, reduzindo a taxa de germinação (Silva et al., 2001).

A propagação da árvore do pequi é feita com os frutos maduros, usados como semente logo que caem ao chão. A quebra da dormência, entre outras maneiras, pode ser feita com a movimentação das sementes sem casca em um recipiente durante 15 a 20 minutos, de modo a provocar pequenos choques, ou deixá-los por 24 horas em uma solução de água com ácidos específicos (www.altiplano.com.br/Pequi7).

Na produção de mudas, a maior dificuldade está na demora para a germinação, que só ocorre entre 120 e 360 dias após a semeadura. Para acelerar o processo, submetem-se os caroços a um tratamento antes de semeá-los. A Embrapa recomenda a imersão em uma solução com ácido giberélico, encontrado nas lojas de materiais agrícolas com o nome de Progib.

A proporção da solução é de 1,5 litro de água para 1 grama de ácido giberélico. Um envelope contém 10 gramas de produto, mas somente 1 grama do ácido (princípio ativo). Os caroços de pequi, obtidos à partir de frutos maduros, são colocados na solução após despolpados e secos à sombra em local ventilado. O período de imersão é de 36 horas. Com isso, reduz-se o tempo de germinação para cada de 40 dias.

No livro Árvores Brasileiras, Lorenzi, o tratamento recomendado consiste em deixar os caroços em água por 48 horas, sendo trocada a cada 12 horas. Logo depois, os caroços são postos para germinar em canteiros ou diretamente em saquinhos individuais. O desenvolvimento das mudas é lento (globorural.globo.com).

Banhos de ácido e choques térmicos eram os recursos mais utilizados para estimular a germinação, mas essas e outras técnicas vem sendo substituídas em alguns viveiros. O pesquisador Roberto de Almeida Torres, coordenador do viveiro de mudas do CNPq/Funape/UFG, explica que processo de reprodução do pequi começa com a seleção das matrizes. São escolhidas aquelas com frutos de melhor qualidade, destacando-se a espessura da polpa, a conformação e a sanidade da árvore.

Os frutos caídos são colhidos e amontoados no chão, à sombra, até que ocorra a fermentação. Em seguida são despolpados. As primeiras e ácidas chuvas da estação induzem a semente à germinação, o que ocorre à partir dos 28 dias. Em 60 dias, 80% do material já está germinado (www.altiplano.com.br/Pequi7).

Tem-se realizado pesquisas com a formação de mudas por propagação vegetativa, através de técnicas como estaquia, enxertia, alporquia e cultura in vitro do embrião, com o intuito de reduzir o tempo inicial de produção de frutos.

O pequizeiro pode ser atacado por algumas doenças, dentre elas, Silva et al., (2001) destaca:

Podridão de raízes de mudas

É uma doença causada pelo fungo. Cylindrocladium clavatum, que ataca as raízes das mudas, apodrecendo-as e causando-lhes a morte ou retardando consideravelmente seu desenvolvimento. Devem-se evitar regas em excesso e sombreamento das mudas.

Mal-do-Cipó

Causada pelos fungos Cerotelium giacomettii e Phomopsis sp. Até o momento, é a mais grave doença do pequizeiro. Os sintomas em mudas são inicialmente caracterizados por um estiolamento ou alongamento das mudas, deformações e lesões nos ramos tenros e nas folhas mais novas. Posteriormente, as mudas secam ou param de crescer. Em pequizeiros adultos, inicialmente ocorre um alongamento dos internódios (entrenós do caule) e estiolamento dos ramos mais novos, fazendo com que estes se tornem muito flexíveis, retorcido e adquirindo aspecto de cipó. As folhas mais novas tornam-se encarquilhadas, com tamanho reduzido e, apresentam numerosas lesões escuras com até 3 mm de diâmetro que podem coalescer (aderir por crescimento), provocando o escurecimento total ou parcial da folha. Com o tempo, inicia-se o secamento que pode atingir a planta inteira, provocando a morte.

Como medidas de prevenção, recomenda-se evitar a coleta de sementes ou garfos (pontas de galhos para enxertia) de pequizeiros com essa doença. Caso a doença apareça no viveiro, eliminar as mudas com sintomas e, no caso de plantas adultas, recomenda-se podar e queimar todos os galhos afetados pela doença.

Nos ferimentos provocados pela poda, deve-se pincelar uma pasta composta por 4 kg de cal hidratada e 1 kg de sulfato de cobre, diluídos em 6 litros de água.

Morte descendente

Causada pelo fungo Botryodiplodia theobromae. Os sintomas iniciam pelo secamento dos ramos mais novos, nos quais as folhas permanecem secas e retidas por até 3 meses.

Posteriormente, a doença atinge os galhos, culminando com a morte da planta. Nos galhos e ramos mais novos, podem ser observadas rachaduras profundas e lesões escuras. Sob a casca de ramos, galhos ou troncos afetados pode ser observado um tecido escuro e necrosado (em decomposição), que progride no sentido da copa para a base da planta. Como medida de controle, recomenda-se cortar e queimar os galhos secos e, sobre os cortes ou ferimentos, aplicar uma pasta bordalesa.

Fonte: www.fruticultura.iciag.ufu.br

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