Central do Cerrado – Produtos Ecossociais

Artigos publicados em 'Frutos do Cerrado'

27.12.12

O Murici

por Laise

Murici

Fruto carnoso de sabor forte, o murici é agridoce e oleoso. Consumido in natura e usado na fabricação de doces, sucos, sorvetes e licores, é encontrado em 11 estados brasileiros, entre eles São Paulo.

murici pertence à família Malpighiaceae, a mesma da acerola. Possui várias espécies e, por isso, pode ser encontrada em cores diferentes, dependendo do local da sua ocorrência. A estimativa é que o gênero Byrsonima possua mais de 200 espécies, sendo que 100 delas estão amplamente distribuídas no País. A maioria é encontrada na região amazônica, onde, na época de sua frutificação, a mata verde fica pintada pelo amarelo do fruto.

A sua árvore pode chegar a até seis metros de altura. Seu tronco é tortuoso e pode apresentar nós. As folhas são simples e rígidas, chegam a 24 centímetros de comprimento e 18 centímetros de largura. A sua madeira é usada na construção civil e a sua casca para o uso medicinal, com a fabricação de antitérmicos. A casca contém de 15 a 20% de tanino, sendo adstringente e podendo ser utilizada na indústria de curtume. A fruta também é conhecida por douradinha-falsa, mirici, muricizinho, orelha-de-burro e orelha-de-veado (os dois últimos nomes são dados por causa do formato das folhas).

Pesquisadores acreditam que o murici foi a fruta encontrada na Bahia pelo padre viajante Gabriel Soares de Sousa na metade do século 16. Em sua descrição, informa que se tratava de árvore pequena e muito seca que, nascendo em terras fracas, fornecia frutas amarelas e moles, menores do que as cerejas, comestíveis e de sabor e cheiro semelhantes aos do “queijo de Alentejo”.

Fernanda Mariano

Fonte: www.folhadaregiao.com.br

Os frutos do Cerrado e sua medicina

por Laise

Brosimum gaudichaudii Tréc

Mama-Cadela

Família Moraceae, mesma do carapiá, dos Ficus spp., e de gêneros comuns na Mata Atlântica, como Sorocea que apresentam espinhos margens das folhas e espetam os pés de desavisados que andam descalços pela mata.

Também desta família, a amora (Morus sp.), a jaca e a fruta-pão (Artocarpus spp.), são exemplos de espécies introduzidas no Brasil que são bem conhecidas da população.

Mama-cadela pode ser encontrada na forma de arbusto ou arvoreta, atingindo até 4m de altura; possui ramos tortuosos e latescentes; folhas simples, alternas, de consistência bem firme, com pecíolo – “cabinho” da folha – curto, face inferior aveludada, nervuras principais amareladas na face superior, latescentes; a planta é monóica, ou seja, possui flores unissexuadas no mesmo indivíduo; as flores têm coloração verde-amareladas, são minúsculas, agrupadas na extremidade de pedúnculos pendentes das axilas das folhas, de maneira especialmente característica da espécie; os frutos são drupas, compostas pelo desenvolvimento e fusão dos ovários das diversas minúsculas flores reunidas, coloração alaranjada, alcançando 3 cm de diâmetro, comestível ao natural ou na forma de sorvete e doces.

Mama-Cadela

Planta muito utilizada pelas populações do Cerrado, como espécie medicinal contra gripes e bronquites, como depurativo do sangue e em má circulação. A casca é comercializada em bancas de raizeiros da região.

Mama-Cadela

O bergapteno, furocumarina encontrada em cascas, raízes e frutos verdes da mama-cadela, é um princípio ativo já é bem conhecido, sendo utilizado (em combinação com as vitaminas A, B1 e B6) no tratamento do vitiligo e outras doenças que causam despigmentação na pele.

Ainda que os estudos científicos a respeito dessa substância não estejam concluídos, de fato vem-se observando a repigmentação de áreas afetadas por vitiligo através de seu uso. Alguns laboratórios goianos, paulistas e do Distrito Federal estão elaborando comprimidos, extratos, tinturas, pomadas e cremes com base nesta planta, que é também recomendada em estados natural na forma de chás. Está entre as plantas citadas por 90% dos raizeiros, em um trabalho etnobotânico realizado na região de Goiânia.

A madeira, quebradiça, leve e macia, tem aplicações na marcenaria, sendo recomendável o uso de indivíduos jovens na confecção de papel. Tanto as folhas como os frutos integram a dieta de bovinos, o que lhe confere bom potencial forrageiro.

Deve-se evitar retirar a mama-cadela em “limpezas” pastos, pois é ótimo complemento.

Outro possível uso é o das raízes como aromatizante de tabaco para cachimbo ou cigarro de palha, da mesma forma como os rizomas do carapiá.

Substâncias da classe das furocumarinas, todas presentes na mama-cadela.

Todas estas substâncias apresentam capacidade fotossensibilizante. As furocumarinas são utilizadas desde é poças remotas para o tratamento de doenças com sintomas na pele pele, tais como psoríese, hanseníase, vitiligo, leucodermia, micoses, dermatite e eczemas. (Fonte: Leão et al. 2005)

Indicações
Parte usada
Preparo e dosagem
a. manchas da pele, vitiligo a. casca de ramos e raízes a. decocto ou infuso: 1 xícara chá de raiz e casca do caule picados, diluir em 1 litro de água. Passar 2 vezes ao dia nas plantas afetadas.
b. depurativo do sangue, na má circulação do sangue b. ramos com folhas b. decocto, infuso ou no vinho seco: 1 xícara de chá de folhas e ramos picados para 1 litro de água ou vinho. Deixar repousar por 24 horas. Beber 2 xícaras de chá ao longo do dia ou 1 copo de vinho ao dia.
c. gripes, resfriados e bronquites c. toda planta c. infuso (vinho ou água): 1 xícara de chá da planta picada para 1 Litro de vinho ou água fervente. Deixar repousar por 24 horas. Beber de 4 colheres de sopa do vinho ou chá morno ao dia. Pode-se adoçar com mel.
Obs. Quando preparado com vinho, não deve ser dado para crianças e a dosagem do chá deve ser reduzida pela metade.

Referências

Almeida, S.P. 1998. Cerrado: Aproveitamento Alimentar. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. 188p.

ALMEIDA, S.P.; PROENÇA, C.E.B.; SANO, S.M.; RIBEIRO, J.F. , 1998. Cerrado: espécies vegetais úteis. Planaltina: EMPRAPA-CEPAC.

Leão, A. R.; da Cunha, L. C.; Parente, L.M.L.; Castro, L. C. M.; A. C.; Carvalho, H.E.; Rodrigues, V. B. & Bastos, M.A. 2005. Avaliação clínica preliminar do Viticromin em pacientes com vitiligo. Revista Eletrônica de Farmácia vol. 2 (1), 12-23, 2005. www.plantamed.com.br/ESP/Brosimum_guadichaudii.htm
Luciana Melhorança Moreira Añez, , Epifania Rita Vuaden1, , Suzinei Silva Oliveira1, , Maria Cristina de Figueiredo e Albuquerque e Maria de Fátima Barbosa Coelho5. TEMPERATURAS PARA GERMINAÇÃO DE SEMENTES DE MAMA-CADELA (Brosimum gaudichaudii TREC – MORACEAE). www.ufmt.br/agtrop/Revista6/doc/10.htm.

Barroso, G.M; Peixoto, A.L.; Ichaso, C.L.F.; Guimarães, E.F. & Costa, C.G. 2002. Sistemática de Angiospermas do Brasil. Volume 1. 2a Ed. Viçosa:UFV.

MARIA INÊS CANAAN DE OLIVEIRA; MAGALI BORGES DE OLIVEIRA. IDENTIFICAÇÃO, QUANTIFICAÇÃO E DETERMINAÇÃO ESTRUTURAL DE ÓLEOS ESSENCIAIS PARA AVALIAÇÃO FARMACOLÓGICA E TOXICOLÓGICA
www.propesq.ufjf.br/seminario/CDSEMINARIO2003/pesq/proj/proj181.htm

Silva, D.B. da; et al., 2001. Frutas do Cerrado. Brasília: Emprapa Informação Tecnológica.

Silva Júnior, M.C. et al. 2005. 100 Árvores do Cerrado: guia de campo. Brasília, Ed. Rede de Sementes do Cerrado, 278p.

Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2005. Botânica Sistemática: guia ilustrado para identificação das famílias de Angiospermas da flora brasileira, baseado em APG II. Nova Odessa-sp, Instituto Plantarum.

Vidal, W.N. & Vidal, M.R.R. 1990. Botânica – Organografia. 3a Ed. Viçosa, UFV.

Fonte: www.biologo.com.br

Mama-Cadela

Mama-Cadela

Partes usadas

Folhas e raízes
Família

Moraceae
Características

Árvore comum nos campos e cerrados .
Dicas de Cultivo

Reproduz-se por sementes, sendo planta rústica e pouco exigente.
Outros Nomes

Maminha-de-cachorra, mamica-de-cachorra, conduru, inharé, mucurerana.
Princípio ativo
Propriedades

Depurativa, antivitiligo.
Indicações

Seu chá por decocção sob a forma de banhos diários, combate o vitiligo. É usada também em doenças que requerem o uso de um depurativo, como por exemplo, doenças crônicas, reumáticas, intoxicações, etc.

Fonte: www.cantoverde.org

O famoso Pequi!

por Laise

Divisão: Magnoliophyta (Angiospermae)

Classe: Magnoliopdida (Dicotiledonae)

Ordem: Guttiferales

Família: Caryocaraceae

Nome Científico: Caryocar brasiliense Camb.

Nomes Populares: Pequi (MG, SP); Piqui (MT); Piquiá-bravo; Amêndoa-de-espinho, Grão-pequiá; Pequiá-pedra; Pequerim; Suari; Piquiá.

Ocorrência: Cerradão Distrófico e Mesotrófico, Cerrado Denso, Cerrado, Cerrado Ralo e Mata Seca.

Distribuição: Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo, Tocantins.

Em Minas Gerais, o fruto é encontrado em maiores quantidades na região de Montes Claros, no norte do Estado (revista.fapemig.br/11/pequi). No Estado de Goiás a espécie é protegida por lei (Código Florestal do Estado de Goiás), mas vem sendo dizimada, principalmente, nas áreas de expansão agrícola.

O pequizeiro (Caryocar brasilliense Camb.) é uma árvore típica do cerrado brasileiro e, com certeza, uma das com maior valor econômico na região, ou seja, com um alto grau de aproveitamento, não só pelos seus frutos, mas pela árvore, como um todo. O fruto é chamado de pequi que, em língua indígena da região, significa “casca espinhenta”.

A família à qual pertence o pequizeiro tem dois gêneros e mais de uma dezena de variedades, que podem ser encontradas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A variedade mais comum no cerrado do Centro-Oeste pode chegar a 10m de altura e, por esta razão, é uma das maiores árvores do cerrado brasileiro, que apresenta uma vegetação predominantemente rasteira. Entretanto, é comum encontrarmos, nessa região, pequizeiros de pouco mais de 1 m de altura.

Na região Norte, entretanto, podemos encontrar variedades muito maiores, com árvores de mais de 20 m de altura e um diâmetro que pode chegar até 5 m (www.ruralnews.com.br/agricultura/frutas/pequi).

Segundo Almeida et al., (1998), a floração ocorre de agosto a novembro (chuvas) com pico em setembro, mas ocasionalmente em outras épocas após as chuvas ou roçados. A frutificação ocorre de novembro a fevereiro.

Em cerrados, normalmente roçados para facilitar a pastagem do gado, encontram-se exemplares pequenos, com 1 metro de altura, carregados de flores em épocas fora do tempo normal de floração, quando há veranicos, no período de janeiro (www.radiobras.gov.br).

A planta possui porte arbório, podendo chegar a 10 m de altura e de 6 a 8 m de diâmetro de copa, com tronco tortuoso de casca áspera e rugosa de 30 – 40 cm de diâmetro. As folhas pilosas são formadas por 3 folíolos com as bordas recortadas, longo-pecioladas e opostas (Figura 01).
FIGURA 01 – Árvore, folhas e flores

A árvore é hermafrodita. Inflorescêcia racemo terminal curta com10 a 30 flores. As flores são grandes e amarelas. Oliveira (1998) apud Chaves (2003), encontrou taxas de cruzamento que caracterizam a espécie como alógama. Estudos realizados com marcadores izoenzimáticos e morfológicos têm mostrado uma grande variabilidade genética dentro de sub-populações com valores bem próximos de zero para a variabilidade genética entre sub-populações (Oliveira et al., 1997; Oliveira, 1998; Trindade et al., 1998), o que é característico de populações alógamas sem restrições ao fluxo gênico. É planta semidecídua, cuja floração ocorre logo após a emissão de folhas novas. Apresenta redução parcial da folhagem durante a estação seca (Ribeiro et al., 1981 apud Almeida et al., 1998). Várias características identificam a polinização dessa espécie com a síndrome de quiropterofilia, tais como: estames com abundante quantidade de pólen pulverulento, volume médio de néctar produzido por flor (0,33 ml), concentração de açúcar no néctar (13,6%), liberação de forte cheiro pela flor, especialmente no período de antese, ao redor de 19 a 20 horas. Ocorre autopolinização, podendo cerca da metade dos botões florais desenvolver-se para frutos (Barradas, 1972 apud Almeida el. Al., 1998).

Os frutos alcançam a maturidade entre três e quatro meses após a floração. A dispersão dos frutos é realizada por dois vetores, um marsupial (Didelphis albiventris) e um corvídeo (Cyanocorax cristatellus) (Gabriel, 1986 apud Almeida et al., 1998). O fruto, do tamanho de uma pequena laranja, está maduro quando sua casca, que permanece sempre da mesma cor verde-amarelada, amolece.

Partida a casca, encontram-se, em cada fruto, uma, duas, três ou quatro amêndoas tenras envoltas por uma polpa amarela, branca ou rósea, o verdadeiro atrativo da planta. A única contra-indicação são os espinhos finos, minúsculos e penetrantes existentes bem no núcleo do caroço, sendo preciso muito cuidado ao mastigá-lo para chupar a polpa. (Figura 02).
FIGURA 02 – Fruto do Pequizeiro

A coleta de frutos implica a exportação de nutrientes, e para cada tonelada de fruto fresco seguem 4,3 kg de potássio, 1,8 kg de nitrogênio e 0,1 kg de fósforo (Miranda et al., 1987 apud Almeida et al., 1998).

O peso médio do fruto foi de 120 g, sendo que a casca representa 82% do fruto, o endocarpo 4,6%, a polpa 7% e a amêndoa cerca de 1% (Almeida & Silva, 1994 apud Almeida et al., 1998). O peso unitário dos frutos variou de 50 a 250 g, a casca de 20 a 117 g, a amêndoa de 2 a 4 g, com valor médio de 8,14 g de polpa (Miranda & Oliveira Filho, 1990 apud Almeida et al., 1998).

Segundo Franco (1982) apud Almeida et al., (1998), 100 g de polpa de pequi contém:

Vitamina A 20.000 mg
Vitamina C 12 mg
Tiamina 30 mg
Riboflavina 463 mg
Niacina 387 mg

Quanto aos sais minerais, a polpa do piqui (coletado no Mato Grosso) apresentou Na (20,9 mg/g), Fe (15,57 mg/g), Mn (5,69 mg/g), Zn (5,32 mg/g), Cu (4 mg/g), Mg (0,05 mg/g), P (0,06 mg/g) e K (0,18 mg/g), sendo que a amêndoa apresentou Na (2,96 mg/g), Fe (26,82 mg/g), Mn (14,37 mg/g), Zn (53,63 mg/g) e Cu (15,93 mg/g) (Hiane et al., 1992 apud Almeida et al., 1998). O valor energético, em cada 100 g é de 89 calorias (www.ruralnews.com.br).

O pequi é considerado a “carne” do Cerrado. Além das proteínas, poliglicerídeos e carboidratos necessários ao organismo, contém alto teor de pró-vitamina “A” em sua polpa (revista.fapemig.br/11/pequi).

O pequizeiro é uma planta muito versátil, no que diz respeito às suas utilidades, pois dela se aproveita praticamente tudo.

O pequi é muito apreciado nas regiões onde ocorre: o arroz, o frango e o feijão cozidos com pequi são pratos fortes da culinária regional; o licor de pequi tem fama nacional; e há, também, uma boa variedade de receitas de doces aromatizados com seu sabor (www.bibvirt.futuro.ups.br). Como medicinal o óleo da polpa tem efeito tonificante, sendo usado contra bronquites, gripes e resfriados e no controle de tumores. É comum o óleo ser misturado ao mel de abelha ou banha de capivara, em partes iguais, e a mistura resultante ser usada como expectorante. O chá das folhas é tido como regulador do fluxo menstrual. Na indústria cosmética, fabricam-se cremes para a pele tendo o piqui como componente. O potencial forrageiro foi evidenciado quando fragmentos de folha foram encontrados em fístula esofágica de bovino (Macedo et al., 1978 apud Almeida et al., 1998). Os frutos também são ingeridos pelos bovinos, mas em função do endocarpo espinhoso, podem ocorrer acidentes. As flores são importantes para alimentação de animais silvestres como: paca, veado-campeiro e mateiro, e as árvores floridas são utilizadas como pontos de espera da caça. Da casca e das folhas extraem-se corantes amarelos de ótima qualidade, empregados pelos tecelões em tinturaria caseira (Silva Filho, 1992 apud Almeida et al., 1998). A madeira é própria para xilografia, construção civil e naval, construção de esteios de curral, mourões e dormentes. Também é usada na fabricação de móveis, além de ser fonte de carvão para siderurgias. A planta é melífera e ornamental.

Cada planta adulta poderá produzir, em média, até dois mil frutos por safra. O preço do litro de caroços de pequi, com aproximadamente 17 unidades, tem sido comercializado no varejo, em feiras livres e Ceasa-DF, ao preço que varia entre R$1,50 a R$3,00. A frutificação ocorre normalmente aos cinco anos após o plantio (Avidos e Ferreira, 2003).

Segundo Moura e Rolim (2003), a forma de obtenção desses frutos é o extrativismo que envolvem catadores, principalmente de Pequi, que são famílias de baixa renda e moradores de regiões carentes. Na tarefa de catar pequi é envolvida toda a família, inclusive as crianças que, após o dia de trabalho vão para as beiras de estradas oferecer o produto da catação aos transeuntes, ou vendem a atravessadores que recolhem a produção da região e levam para comercialização nos centros consumidores, como Goiânia ou Montes Claros em Minas Gerais. Os valores pagos aos catadores são muito baixos, pouco auxiliando para a melhoria de vida daquela população, uma vez que a produção é sazonal e na entressafra essas pessoas têm que buscar outras atividades para garantir a sobrevivência.

A comercialização do fruto “in natura” é destinada ao consumo na culinária típica. Ainda pode ser destinada a pequenos fabricantes de conservas vegetais, que processam sem o conhecimento técnico necessário, colocando em risco a saúde do consumidor e juntamente a isso a credibilidade do produto a base de fruto do cerrado.

Outra forma que essas famílias utilizam para aumentar a renda com a catação do Pequi é a extração do óleo, que é feita às vezes com o fruto que foi catado e não vendido in natura. O processo utilizado para a extração é muito rudimentar e com baixa produção, produtividade e qualidade. O óleo obtido é vendido nos centros de comercialização, CEASA,e mercados municipais também a preços baixos, além da venda a atravessadores que revendem o produto com nova embalagem e a preços significativamente maiores. Há também um mercado para a indústria cosmética que exige determinadas características para o óleo que, no processo utilizado de extração não atende, e quando atende o extrativista não tem acesso direto à empresa e sim ao atravessador.

Preocupada em preservar e possibilitar a exploração comercial do pequi, a Embrapa está pesquisando seu cultivo em lavouras, utilizando técnica de irrigação e fertilidade. Os trabalhos têm resultado em pomares precoces, de produção dois anos após o plantio (www.embrapa.br).

Devido à sua origem no cerrado, o pequizeiro é melhor adaptado a regiões com pouca chuva ou pouca irrigação. Sua produção é sempre maior em período mais secos e, por esta razão, a variedade do cerrado também pode ser cultivada em algumas regiões mais secas do Nordeste. No entanto, durante o período de germinação, é necessário que façamos uma irrigação, caso não haja um volume adequado de chuvas (www.ruralnews.com.br).

Sua produção não é estável. Em anos de muita chuva, produz pouco; ao contrário, nos de seca a produção é maior. Tanto que nas regiões interioranas existe um adágio popular muito conhecido: “ano de pequi, ano de crise”. A chuva derruba as flores antes da fecundação, o que reduz a produção (www.radiobras.gov.br).

Os frutos de Pequi caem naturalmente quando estão maduros. Por isso, devem ser apanhados preferencialmente no chão. Frutos coletados diretamente na planta podem não apresentar sementes completamente desenvolvidas, reduzindo a taxa de germinação (Silva et al., 2001).

A propagação da árvore do pequi é feita com os frutos maduros, usados como semente logo que caem ao chão. A quebra da dormência, entre outras maneiras, pode ser feita com a movimentação das sementes sem casca em um recipiente durante 15 a 20 minutos, de modo a provocar pequenos choques, ou deixá-los por 24 horas em uma solução de água com ácidos específicos (www.altiplano.com.br/Pequi7).

Na produção de mudas, a maior dificuldade está na demora para a germinação, que só ocorre entre 120 e 360 dias após a semeadura. Para acelerar o processo, submetem-se os caroços a um tratamento antes de semeá-los. A Embrapa recomenda a imersão em uma solução com ácido giberélico, encontrado nas lojas de materiais agrícolas com o nome de Progib.

A proporção da solução é de 1,5 litro de água para 1 grama de ácido giberélico. Um envelope contém 10 gramas de produto, mas somente 1 grama do ácido (princípio ativo). Os caroços de pequi, obtidos à partir de frutos maduros, são colocados na solução após despolpados e secos à sombra em local ventilado. O período de imersão é de 36 horas. Com isso, reduz-se o tempo de germinação para cada de 40 dias.

No livro Árvores Brasileiras, Lorenzi, o tratamento recomendado consiste em deixar os caroços em água por 48 horas, sendo trocada a cada 12 horas. Logo depois, os caroços são postos para germinar em canteiros ou diretamente em saquinhos individuais. O desenvolvimento das mudas é lento (globorural.globo.com).

Banhos de ácido e choques térmicos eram os recursos mais utilizados para estimular a germinação, mas essas e outras técnicas vem sendo substituídas em alguns viveiros. O pesquisador Roberto de Almeida Torres, coordenador do viveiro de mudas do CNPq/Funape/UFG, explica que processo de reprodução do pequi começa com a seleção das matrizes. São escolhidas aquelas com frutos de melhor qualidade, destacando-se a espessura da polpa, a conformação e a sanidade da árvore.

Os frutos caídos são colhidos e amontoados no chão, à sombra, até que ocorra a fermentação. Em seguida são despolpados. As primeiras e ácidas chuvas da estação induzem a semente à germinação, o que ocorre à partir dos 28 dias. Em 60 dias, 80% do material já está germinado (www.altiplano.com.br/Pequi7).

Tem-se realizado pesquisas com a formação de mudas por propagação vegetativa, através de técnicas como estaquia, enxertia, alporquia e cultura in vitro do embrião, com o intuito de reduzir o tempo inicial de produção de frutos.

O pequizeiro pode ser atacado por algumas doenças, dentre elas, Silva et al., (2001) destaca:

Podridão de raízes de mudas

É uma doença causada pelo fungo. Cylindrocladium clavatum, que ataca as raízes das mudas, apodrecendo-as e causando-lhes a morte ou retardando consideravelmente seu desenvolvimento. Devem-se evitar regas em excesso e sombreamento das mudas.

Mal-do-Cipó

Causada pelos fungos Cerotelium giacomettii e Phomopsis sp. Até o momento, é a mais grave doença do pequizeiro. Os sintomas em mudas são inicialmente caracterizados por um estiolamento ou alongamento das mudas, deformações e lesões nos ramos tenros e nas folhas mais novas. Posteriormente, as mudas secam ou param de crescer. Em pequizeiros adultos, inicialmente ocorre um alongamento dos internódios (entrenós do caule) e estiolamento dos ramos mais novos, fazendo com que estes se tornem muito flexíveis, retorcido e adquirindo aspecto de cipó. As folhas mais novas tornam-se encarquilhadas, com tamanho reduzido e, apresentam numerosas lesões escuras com até 3 mm de diâmetro que podem coalescer (aderir por crescimento), provocando o escurecimento total ou parcial da folha. Com o tempo, inicia-se o secamento que pode atingir a planta inteira, provocando a morte.

Como medidas de prevenção, recomenda-se evitar a coleta de sementes ou garfos (pontas de galhos para enxertia) de pequizeiros com essa doença. Caso a doença apareça no viveiro, eliminar as mudas com sintomas e, no caso de plantas adultas, recomenda-se podar e queimar todos os galhos afetados pela doença.

Nos ferimentos provocados pela poda, deve-se pincelar uma pasta composta por 4 kg de cal hidratada e 1 kg de sulfato de cobre, diluídos em 6 litros de água.

Morte descendente

Causada pelo fungo Botryodiplodia theobromae. Os sintomas iniciam pelo secamento dos ramos mais novos, nos quais as folhas permanecem secas e retidas por até 3 meses.

Posteriormente, a doença atinge os galhos, culminando com a morte da planta. Nos galhos e ramos mais novos, podem ser observadas rachaduras profundas e lesões escuras. Sob a casca de ramos, galhos ou troncos afetados pode ser observado um tecido escuro e necrosado (em decomposição), que progride no sentido da copa para a base da planta. Como medida de controle, recomenda-se cortar e queimar os galhos secos e, sobre os cortes ou ferimentos, aplicar uma pasta bordalesa.

Fonte: www.fruticultura.iciag.ufu.br

Gabiroba!

por Laise

Nome científico: Campomanesia xanthocarpa Berg
Nome popular: guabiroba; guabiroba-da-mata
Família: Myrtaceae

Gabiroba

Planta

Árvore que pode atingir até 15 metros de altura, tronco ereto rajado de branco, com copa densa formada por folhas que exalam aroma característico.

Flores pequenas creme-esbranquiçadas.

Regiões de ocorrência

Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.

O vitaminado e doce sabor do cerrado

Fonte alimentar para aves, peixes e humanos, a gabiroba é uma frutinha arredondada, verde-amarelada, com uma suculenta polpa verde que envolve várias sementes. Frutifica de dezembro a maio, recheando os cerrados de seu adocicado sabor e vitaminas.

Nativa dos campos cerrados do Centro-Oeste e Sudeste brasileiros, pertence à família das Mirtáceas e nasce naturalmente em terrenos pobres, não necessitando de muitos cuidados. Seu tronco apresenta um belo aspecto de rajado, pois ao longo do desenvolvimento desprende lascas que lhe conferem exuberantes manchas brancas.

O fruto, que constitui o principal recurso oferecido pela planta, pode ser consumido in natura ou utilizado para se fazer doces, sucos e sorvetes, além de servir de matéria-prima para o preparo de um delicioso e bastante apreciado licor.

A madeira tem uso limitado regional na construção civil e é principalmente utilizada como lenha e carvão. A árvore possui conformação ornamental – podendo ser utilizada para arborização em geral, devido a sua beleza quando, de setembro a novembro, se enche de numerosas e pequenas flores brancas, conferindo ao cerrado uma paisagem clara, limpa e relaxante.

Fonte: www.ibb.unesp.br

Gabiroba

Gabirobeira

guabiroba (gabirobeira, gabirobeira, gabiroba) pertence à família Myrtaceae, é uma planta que não perde as folhas facilmente (decídua), heliófita (que se desenvolve na presença de luz), característica das submatas abertas ou de vegetação semidevastada na zona dos pinhais do Planalto Meridional. Ocorre em Goiás, Minas Gerais até Santa Catarina, nas regiões de florestas e cerrados.

Flores da Gabirobeira

Planta muito variável morfologicamente e rara em toda a área de distribuição. Altura entre 4 a 7 metros, dotada de copa globosa, densa e baixa, tronco curto e cilíndrico, revestido por casca grossa e fissurada.

Suas folhas são simples, glandulares, subcoriáceas ou cartáceas, face superior pouco nítida com nervura central impressa, com ou sem pêlos na face interior. Floresce abundantemente durante os meses de outubro e novembro, as flores são solitárias, glandulares, axilares ou laterais, de cor branca com numerosos estames.

Gabiroba

Possui fruto subgloboso, glandular, de polpa suculenta, com poucas sementes glandulosas. São comestíveis e muito apreciados pela avifauna, amadurecem no período de dezembro e janeiro.

A árvore pode ser utilizada na arborização, reflorestamento de áreas degradadas. A madeira é pesada, textura média, sujeita ao rachamento na secagem e pouco durável.

É empregada localmente para uso interno em construção civil e sobretudo lenha e carvão.

Possui anualmente grande quantidade de sementes viáveis que são amplamente disseminadas pela avifauna.

Referência

LORENZI, H.; 2000. Árvores Brasileiras:
Manual de Identificação e Cultivo de Plantas
Arbóreas do Brasil. São Paulo, 3ª ed. Vol 02.

Fonte: www.4elementos.bio.br

E a Cagaita!

por Laise

ivisão: Magnoliophyta (Angiospermae)

Classe: Magnoliopdida (Dicotiledonae)

Ordem: Myrtales

Família: Myrtaceae

Nome Científico: Eugenia dysenterica Dc.

Nomes Populares: cagaita, cagaiteira

Ocorrência: Cerradão Mesotrófico e Distrófico, Cerrado sentido restrito

Distribuição: Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Groso do Sul, Minas Gerais, Pará, Piauí, São Paulo, Tocantins

Floração: de agosto a setembro

Frutificação: de setembro a novembro

Árvore hermafrodita com 6 a 8 m de altura por 6 a 8 m de diâmetro de copa, com ramos tortuosos, casca do tronco suberosa, profundamente sulcada e gretada.

Folhas verdes, brilhantes e quando jovens verde-claras, chegando a ser ligeiramente translúcidas (www.agro-fauna.com.br). São opostas, simples e caducas na floração (Almeida et al., 1998).

Inflorescência racêmulos umbeliformes ou alongados pelo posterior desenvolvimento vegetativo da gema terminal, simulando flores isoladas, axilares, geralmente com 4 flores, raramente 2 a 6 (Almeida et al., 1998). Flores brancas e aromáticas.

Fruto globoso e achatado, de coloração amarelo-pálido, com 1 a 3 sementes brancas envoltas em polpa de coloração creme, de sabor acidulado. O fruto mede de 3 a 4 cm de comprimento por 3 a 5 cm de diâmetro (Figura abaixo) e pesa de 14 a 20 g (Silva et al., 2001).

Cagaita
Cagaita (Eugenia dysenterica DC.) Myrtaceae.

A. ramo com frutos: B. fruto inteiro e partido; C. polpa comestível; D. semente.

Parente da pitanga, do araçá e da uvaia, a cagaita é uma frutinha arredondada de cor amarela suave. De fina casca, tem um sabor ácido e é bastante suculenta, apresentando cerca de 90% de suco em seu interior (Figura abaixo).

Apesar de seu sabor agradável e de sua natureza refrescante, o povo da região dos cerrados sabe que, por um capricho da natureza, a cagaita é uma fruta que deve ser saboreada com moderação. Quem não quiser acreditar, ficará sabendo que os nomes populares e científicos das frutas têm sua razão de ser.

O fato é que, consumida em excesso, a cagaita provoca uma fermentação, estimuladora do funcionamento intestinal e causadora de uma espécie de mal-estar semelhante à embriaguez. Por outro lado, a infusão da folha e da casca da árvore tem efeito contrário, sendo muito utilizada pela medicina popular como anti-diarréico.

No Centro de Tecnologia Agroindustrial da EMBRAPA, com sede no Rio de Janeiro, desenvolvem-se e testam-se novas receitas de sucos, geléias e doces, com amostras de frutas do Cerrado. Ali, juntamente com a amêndoa torrada do baru, o suco de cagaita constitui um dos produtos da preferência dos visitantes e funcionários.

Foi ali também que se comprovou aquilo que o nativo já sabia há tempos; se a fruta in natura provoca reações intestinais desagradáveis, a sua polpa, utilizada como ingrediente de sucos, geléias, refrescos, sorvetes, doces, geléias e licores, conserva apenas as suas características agradáveis de sabor e perfume (www.bibvirt.fututo.usp.br).

Árvore melífera (Brandão & Ferreira, 1991 apud Almeida et al., 1998) é também ornamental. Quando em floração oferece um bonito visual, uma vez que na época seca a folhagem que cai é substituída pelas folhas novas avermelhadas, e pelas flores alvas que são abundantes e perfumadas.

Fornece madeira para pequenas obras de construção civil, mourões, lenha e carvão.

A casca serve para indústria de curtume (Corrêa, 1926 apud Almeida et al., 1998).

É uma das corticeiras do Cerrado, com 1 a 2 cm de espessura (Macedo, 1991 apud Almeida et al., 1998).

Quanto ao uso medicinal, além do efeito purgativo dos frutos, a garrafada das folhas produz efeito contrário, sendo antidiarréico e também utilizada para combater problemas cardíacos (Ferreira, 1980 apud Almeida et al., 1998).

Quando submetida à fermentação, produz vinagre e álcool (Corrêa, 1926 apud Almeida et al., 1998).

O fruto é também consumido pelo gado. Foram identificados fragmentos de frutos, sementes e folhas em material de fístula esofágica de bovinos entre os meses de julho a novembro, comprovando a sua seletividade na época seca (Macedo et al., 1978 apud Almeida et al., 1998).

Cagaita
Detalhe dos frutos da Cagaiteira

A distribuição espacial da espécie varia entre regiões, dentro da grande região do cerrado.

Em algumas áreas ocorre de forma contínua em grandes extensões, formando, portanto, grandes populações.

Em outros casos, a ocorrência se dá em agregados, com sub-populações geograficamente descontínuas, mesmo quando existem áreas preservadas. Certamente, a ocupação agrícola do cerrado tem favorecido rapidamente a fragmentação de populações naturais, o que passa a ser uma preocupação em termos de conservação genética.

Em levantamento realizado em 50 áreas de cerrado pouco antropizado do Estado de Goiás, de 1,0 hectare cada, Naves (1998) apud Chaves (2003) encontrou a espécie ocorrendo em apenas 10 áreas. Em uma delas foi registrada a ocorrência de 162 indivíduos, mostrando o caráter de distribuição em agregados. Telles (2000) apud Chaves (2003), avaliou a estrutura genética de 10 sub-populações do sudeste de Goiás, utilizando marcadores izoenzimáticos. Os resultados mostraram a ocorrência de uma grande variabilidade entre sub-populações (GST = 0,164) e uma taxa aparente média de fecundação cruzada de 83,5%, caracterizando a espécie como de sistema misto de fecundação .

Pelos levantamentos fitossociológicos, foi constatada a baixa densidade dessa espécie tanto em Cerradão Distrófico como em Cerrado sentido restrito do Distrito Federal, com cerca de 4 indivíduos/ha (Ribeiro et al., 1995 apud Almeida et al., 1998), porém muito alta no Cerrado de Paraopeba, MG, com 110 indivíduos/ha (Silva Júnior, 1984 apud Almeida et al., 1998). Essa espécie, portanto, parece estar relacionada com solos de menor fertilidade, pois nesse ambiente, atingiu o mais alto índice de valor de importância (IVI). Provavelmente apresenta maior capacidade de competição em solos com menor disponibilidade de água e com baixa fertilidade, podendo ser considerada uma indicadora de tais tipos de solo (Silva Júnior, 1984; Silva Júnior et al., 1987 apud Almeida et al., 1998).

A espécie é polinizada por abelhas, capaz de autopolinização e a percentagem de botões que se transforma em frutos é da ordem de 6,8%; a floração é maciça, dura pouco e cerca de dois a três semanas depois amadurecem os frutos, sendo portanto, o ciclo reprodutivo muito curto (Proença & Gibbs, 1994 apud Almeida et al., 1998). Em áreas naturais, as sementes devem germinar no início da estação chuvosa uma vez que na seca perde seu poder germinativo. Não há, portanto, impedimento ecológico para a germinação (Rizzini, 1971 apud Almeida et al., 1998).

Os frutos são coletados no chão ou “de vez”, sacudindo-se levemente os ramos da árvore. Após a lavagem, colocam-se os frutos maduros numa peneira, sobre um vasilhame de boca larga (bacia, balde). Em seguida, com as mãos, espremem-se os frutos, pressionando-os sobre a peneira, processo esse bastante rápido e de grande eficiência. Na peneira ficam retidas as cascas e as sementes. Essas sementes, após a secagem, podem ser usadas para produção de mudas (Almeida et al., 1987).

No viveiro e no campo, após o plantio, as mudas mostram um rápido crescimento e aos quatro anos de idade já iniciam a frutificação (Avidos e Ferreira, 2003).

A cagaiteira produz de 500 a 2000 frutos (Silva et al., 2001). A produção de frutos por árvore é excelente, mas irregular. Os frutos são climatéricos, conservam-se por três dias a 28ºC e por 13 dias a 15ºC. São sensíveis no resfriamento a 4ºC, apresentando lesões no terceiro dia de armazenamento (Calbo et al., 1990 apud Almeida et al., 1998).

Fonte: www.fruticultura.iciag.ufu.br

Conheça mais sobre o Baru!

por Laise

Baru
Castanha de baru

Castanha de baru
Castanha de baru

Nomes populares

Castanha de baru, cumbaru, cumaru, castanha de burro, viagra do cerrado, coco barata, coco feijão.

Nome científico

Dipteryx alata Vog

Ocorrência

Ocorrre nas matas e cerrados do Brasil Central, envolvendo terras dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Bahia, Piauí, Maranhão e Distrito Federal.

Aspectos botânicos e ecológicos

Baruzeiro
Baruzeiro

Leguminosa arbórea da família Fabaceae.

Árvore de grande porte chegando a medir 25 metros de altura, podendo atingir 70 cm de diâmetro com vida útil em torno de 60 anos.

baru está ameaçado de extinção em função da procura pela madeira e pelo nível de desmatamento do Cerrado.

Ocorre corte indiscriminado do baru para fabricação de carvão vegetal, instalação de cercas (moirões), indústria moveleira, construção civil, entre outros usos.

baru é encontrado em terras férteis e seus ecossistemas de ocorrência têm sido massivamente desmatado em função do avanço da fronteira agropecuária sobre o Cerrado.

Crescimento rápido sendo importante para fixação de carbono da atmosfera.

Tem sua primeira frutificação com cerca de 6 anos, sendo este período bastante variado em função das condições de solo e água.

Possui safra intermitente com variações bruscas de intensidade de produção de frutos de um ano para o outro. Para efeitos práticos, relacionado a utilização comercial, produz uma safra boa a cada 2 anos.

Uma árvore adulta produz cerca de 150 kg de fruto por safra boa. Possui apenas uma semente por fruto, do qual pode se aproveitar a polpa, endocarpo e semente (amêndoa).

O tamanho do fruto varia muito de região por região, bem como em função das condições de solo, água e genética da planta. Em média o fruto pesa 25g, sendo 30% polpa, 65% endocarpo lenhoso e 5% semente.

Baru

A polpa do baru constitui importante fonte de alimento para a fauna nativa (pequenos mamíferos, roedores, pássaros, morcego, etc) e para o gado que se alimentam roendo a polpa da fruta na época da safra.

A época da floração e frutificação varia de acordo com a região, sendo que a colheita geralmente é feita após o pico de queda dos frutos maduros.

Aplicações do baru

  • Alimentação humana
  • Alimentação animal
  • Medicina
  • Indústria cosmética
  • Artesanato
  • Combustível
  • Indústria madereira/moveleira
  • Construção civil/rural
  • Adubação natural (leguminosa)
  • Moirão vivo

Produtos e subprodutos do baru e respectivos uso

Parte do fruto Produto/sub-produto Usos
Polpa Polpa in natura Alimentação animal
Alimentação humana
Medicinal/farmacêutico
Polpa desidratada Alimentação animal
Alimentação humana
Medicinal/farmacêutico
Farinha Alimentação humana
Álcool/Cachaça Consumo humano
Medicinal/farmacêutico
Cosmético
Industrial
Resíduos Agrícola (adubo orgânico)
Amêndoa Amêndoa crua Alimentação animal
Alimentação humana
Medicinal/farmacêutico
Agrícola (produção mudas)
Amêndoa torrada Alimentação humana
Farinha Alimentação humana
Leite Alimentação humana
Óleo Alimentação humana
Medicinal/farmacêutico
Cosmético
Industrial
Torta Alimentação humana
Medicinal/farmacêutico
Cosmético
Industrial
Pasta/manteiga Alimentação humana
Endocarpo lenhoso Carvão Combustível
Ácido Pirolenhoso e alcatrão Industrial
Endocarpo lenhoso Artesanato

Qualidade nutricional da amêndoa

Calorias 502 kcal/100g

Informações Nutricionais
Componente g /100g
Proteína 23,9
Gorduras totais 38,2
Gorduras saturadas 7,18
Gorduras insaturadas 31,02
Fibras totais 13,4
Carboidratos 15,8

Tabela de Minerais

Minerais mg/100g
Cálcio 140
Potássio 827
Fósforo 358
Magnésio 178
Cobre 1,45
Ferro 4,24
Manganês 4,9
Zinco 4,1

Referência

Takemoto, E. et al. Composição química da semente e do óleo de baru (Dipteryx alata Vog.) nativo do Município de Pirenópolis, Estado de Goiás. Rev. Inst. Adolfo Lutz, 60(2):113-117, 2001.

Fonte: www.centraldocerrado.org.br

Baru

Divisão: Magnoliophyta (Angiospermae)

Classe: Magnoliopdida (Dicotiledonae)

Ordem: Rosales

Família: Leguminosae

Nome Científico: Dypterix alata Vog.

Nomes Populares: baru, barujó, castanha-de-ferro, coco-feijão, cumaru-da-folha-grande, cumarurana, cumaru-verdadeiro, cumaru-roxo, cumbaru, cumbary, emburena-brava, feijão-coco, meriparagé, pau-cumaru

Ocorrência: Cerrado, Cerradão Mesotrófico, Mata Mesofítica.

Distribuição: Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo (Almeida et al., 198).

Floração: de novembro a maio.

Frutificação: de outubro a março.

Árvore hermafrodita de até 15 m de altura, com tronco podendo atingir 70 cm de diâmetro e copa medindo de 6 a 8 m de diâmetro, densa e arredondada. Folhas compostas por 6 a 12 folíolos, alternos ou subopostos, de coloração verde intensa. Inflorescência panícula terminal e nas axilas das folhas superiores, com cerca de 200 a 1000 flores, caducas antes da antese. Flores pequenas, de coloração alva e esverdeada. Fruto tipo legume, com 5 a 7 cm de comprimento por 3 a 5 cm de diâmetro, de cor marrom-claro com amêndoa e polpa comestíveis. Semente única, marrom-claro e marrom-escuro, cerca de 2 a 2,5 cm de comprimento, elipsóide, brilhante

O valor calórico da polpa é de 310 kcal/100 g, com alto teor de carboidratos (63%); é rica em potássio (572mg/100 g), cobre (3,54 mg/100 g) e ferro (5,35 mg/100 g) (Vallilo et al., 1990 apud Almeida et al., 1998). Destaca-se o elevado teor de fibra insolúvel (28,2%), de açúcar (20,45%) e de taninos (3%) para frutos ainda na árvore (Togashi, 1993 apud Almeida et al., 1998). A semente do baru é rica em cálcio, fósforo e manganês, apresenta 560 kcal/100 g, com cerca de 42% de lipídios e 23% de proteína. O óleo é rico em ácidos graxos insaturados (80%), sendo o componente principal o ácido oléico (44,53%) seguido do linoléico (31,7%), palmítico (7,16%), esteárico (5,33%) e outros, além da vitamina E (13,62 mg/100 g) (Togashi, 1993 apud Almeida et al., 1998). O óleo extraído do fruto é volátil, incolor e espesso. A semente apresenta também alto teor de macro e micronutrientes (mg/100 g): K (811), P (317), Mg (143), Mn (9,14), Fe (5,35), Zn (1,04) e Cu (1,08) (Vallilo et al., 1990 apud Almeida et al., 1998). Nas folhas a concentração de macronutrientes apresentou valores médios de P(0,14%), Ca (0,68%), Mn (150 ppm) e Zn (40 ppm) (Araújo, 1984 apud Almeida et al., 1998).

Estudando o comportamento dessa espécie, em competição, Toledo Filho 1985 apud Almeida et al., 1987), recomenda-a tanto para ornamentação de ruas e praças quanto para o aproveitamento silvicultural.

Planta ornamental, de copa larga, com bonita folhagem e ramos que oferecem resistência ao vento. Fornece madeira de cor clara, compacta, resistente às pragas, própria para construção de estrutura externas como: estacas, postes, moirões, obras hidráulicas, dormentes, bem como para construção civil e naval, para vigas, caibros, batentes de porta, assoalhos e carrocerias (Corrêa, 1931; Lorenzi, 1992 apud Almeida et al., 1998).

O gosto da amêndoa do baru, parecido com o do amendoim, leva a população da região a atribuir-lhe propriedades afrodisíacas: diz-se que na época do baru, aumenta o número de mulheres que engravidam. O que já se sabe é que o baru tem um alto valor nutricional que, superando os 26% de teor de proteínas, é acima do encontrado no coco-da-baía.

A amêndoa do baru pode (Figura abaixo) ser comida crua ou torrada e, nesse último caso, substitui com equivalência a castanha-de-caju, servindo como ingrediente em receitas de pé-de-moleque, rapadura e paçoquinha

Para se obterem as amêndoas, tem-se primeiramente que retirar a polpa com faca. Os frutos despolpados são quebrados com o auxílio de uma morsa (torno fixo de oficina mecânica) ou martelo, processo esse bastante rápido. Recomenda-se quebrar somente aqueles frutos cujas amêndoas sacodem ao balançá-los, porque os outros não contêm amêndoas. A vantagem de se usar a morsa é que as amêndoas não são danificadas, sendo, por esse fato, usadas também para a formação de mudas (Almeida et al., 1987).

Ferreira (1980 apud Almeida et al., 1987) relata que as sementes do baru fornecem um óleo de primeira qualidade, que tanto é utilizado como aromatizante para o fumo como anti-reumático na medicina popular.

A polpa é bastante apreciada pelos bovinos, suínos e animais silvestres, que a consomem quando os frutos caem no chão ou das raspas que sobram da retirada da semente para consumo humano (Almeida et al., 1990 apud Almeida et al., 1998).

Os frutos maduros são procurados por morcegos e macacos. Os macacos chegam a atrapalhar a dispersão pois conseguem quebrar o fruto com pedra e comer as amêndoas (Ferreira, 1980 apud Almeida et al., 1998).

Embora tenha bom potencial econômico, o fruto não é comercializado nas cidades. Pode ser apreciado apenas como planta nativa nas fazendas do centro-oeste, onde alguns fazendeiros se preparam para iniciar seu cultivo racional principalmente em meio a áreas de pastagens (Avidos e Ferreira, 2003).

Para se efetuar a colheita de frutos de espécies arbóreas como Pequi, Jatobá, Cagaita e Baru deve-se estender uma lona, forro de pano ou de plástico ao redor da planta, balançar levemente os galhos e recolher os frutos sadios, sem vestígios de ataques de pragas ou de doenças, e acondicioná-los em recipientes adequados para o transporte (Silva et al., 2001).

Para a formação das mudas usam-se as sementes ou amêndoas.

Quando se faz a semeadura com sementes nuas, a germinação é mais rápida do que com o fruto inteiro. Sobre esse aspecto, Filgueiras & Silva (1975) apud Almeida et al., (1987) citam que as sementes nuas levaram treze dias para germinar, enquanto no fruto inteiro demoraram 42 dias.

As mudas dessa espécie devem ser mantidas a pleno sol, pois na sombra podem sofrer ataque de fungos Cilindrocladium sp. e outras pragas. Nogueira & Vaz (1993) apud Almeida et al., (1998), obtiveram mudas de 15 cm de altura após 40 dias da semeadura. Foi observado ainda que o crescimento da parte subterrânea é mais rápido que o da parte aérea.

A frutificação inicia-se aos seis anos (Carvalho, 1994 apud Almeida et al., 1998).

Fonte: www.fruticultura.iciag.ufu.br

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